O congresso do PS estava marcado para os dias 15, 16 e 17 de março do próximo ano, mas a demissão de António Costa mudou tudo. Se o Presidente da República convocar eleições antecipadas, como se espera, os socialistas terão de antecipar o congresso e entrar num processo eleitoral que só esperavam enfrentar em 2026. António Costa convocou uma reunião da Comissão Política Nacional para quinta-feira.

O presidente do PS, Carlos César, recusou antecipar cenários antes da decisão de Belém, mas garantiu, esta terça-feira, que “o Partido Socialista está preparado ou tem capacidade para se preparar para qualquer dessas circunstâncias”. No caso de eleições antecipadas, o partido “ajustará os procedimentos internos”, acrescentou o presidente do PS.

Certo é que os socialistas foram apanhados de surpresa e vão entrar numa corrida contra o tempo se as eleições forem antecipadas. Os estatutos definem que o congresso “reúne, ordinariamente, antecedido da eleição direta do secretário-geral e, extraordinariamente, mediante convocação da Comissão Nacional, do secretário-geral ou da maioria das comissões políticas das federações que representem também a maioria dos membros inscritos no partido”. Cabe à Comissão Nacional “marcar a data e o local” do congresso.

O primeiro passo a caminho de uma nova etapa na vida do partido está dado. António Costa convocou uma reunião da Comissão Política Nacional para quinta-feira, a partir das 21 horas, com um único ponto de agenda: “a análise da situação política”.

Um conjunto de militantes do movimento interno liderado por Daniel Adrião já tinha exigido a “convocatória urgente de uma reunião da Comissão Política Nacional com o objetivo de analisar a situação política na sequência das diligências judiciais em curso que atingem o governo”.

Ao NOVO, Daniel Adrião defende a realização de eleições primárias num modelo idêntico à disputa entre António Costa e António José Seguro, em 2014. “Tem de haver primárias abertas para a escolha do candidato a primeiro-ministro”, diz o dirigente socialista.

As movimentações para a liderança já começaram e os socialistas ouvidos pelo NOVO admitem que Pedro Nuno Santos é aquele que está mais bem posicionado para substituir António Costa. Mas dificilmente o ex-ministro socialista, conotado com a ala esquerda do partido, não terá adversário na disputa pela liderança. Fernando Medina é um dos nomes falados, mas há outras possibilidades entre a ala moderada, como Mariana Vieira da Silva ou Ana Catarina Mendes.